sexta-feira, setembro 29, 2006

minhas frases

O aproximar aproximado
próximo semelhante
que só sinto possível
nas minhas frases

domingo, setembro 24, 2006

buscando

A sabedoria de
não (nos) suprimirmos
(n)o outro
caminhar
nos olhos
quando ao lado

terça-feira, setembro 19, 2006

A nudez mais completa



uma área branca
sem uma árvore



um texto opaco

com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros


e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto


animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra


vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto



António Ramos Rosa

quinta-feira, setembro 14, 2006

sono e sonhos






Sonhar permite que cada um e todos de nós sejamos loucos, silenciosamente e com segurança, cada noite de nossas vidas.


William C. Dement, pesquisador de sono e sonhos

terça-feira, setembro 12, 2006

Inventar o tempo





Eu queria inventar o tempo.

Um tempo diferente.
Mas permaneço impotente.

O que é o tempo?

Contaram-me
que ela morreu no
espanto de existir vazio.


(Este blog, hoje, 11 de Setembro de 2006 (em rigor, deverei dizer ontem), faz um ano. Outros, superiormente marcantes acontecimentos, se assinalam neste dia. A vida parece um lascivo Carnaval. A Revolta? Inútil, inútil...)

sábado, setembro 09, 2006

(Ainda o cansaço...)

O que há em mim
é sobretudo cansaço
não disto, nem daquilo,
Cansaço. Assim mesmo. Ele mesmo.
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis
As paixões violentas por coisa nenhuma
Os amores por, o suposto, em alguém
Tudo isso
Isso e o que fazia neles eternamente
Tudo faz um cansaço
Este cansaço.....

segunda-feira, setembro 04, 2006

OS HOMENS DOBRAM SEUS SONHOS
EM SECRETAS GAVETAS,

LEVANTAM-SE.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Nasce o poema

No aparo da caneta
escorrem lágrimas de tinta
borrões de angústia
riscos de esperança
traços de amor
e nasce o poema

sábado, agosto 19, 2006

... de Pablo Neruda

Perdemos outra vez este crepúsculo.
Ninguém nos viu esta tarde de mãos dadas
Enquanto a noite azul caí­a sobre o mundo.

Vi da minha janela
a festa do poente nos morros distantes.

Às vezes como uma moeda
se acendia um pedaço de sol entre minhas mãos.

Eu te recordava com a alma encolhida
por essa tristeza que tu me conheces.

Então onde estavas?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque é que o amor me vem assim de golpe
quando me sinto triste, e te sinto distante?

Caiu o livro que sempre se toma no crepúsculo,
e como um cão ferido tombou a meus pés minha capa.

Sempre, sempre te afastas pelas tardes
para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.


Viente poemas de amor y una canción desesperada


sábado, agosto 12, 2006

Devagar


(mais uma obra da herdeira :) )



No meu coração,
pouco a pouco,
o sangue volta ao ritmo.

O chão está repleto de despojos.
Não ouso ainda abandonar o abrigo.

segunda-feira, agosto 07, 2006

...e













Mais

confirmo
que só vivendo sob
a ruína
da
paliçada
a
escrita
sai
depurada


Resta dizer
que lamento
se de algum modo a importunei

domingo, julho 30, 2006

Citação







(desenho feito pela minha filha. 9 anos recentes)



"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te"
Nietzsche

Obrigada a todos os que que passam por aqui.



terça-feira, julho 25, 2006

Em redor...

Salas assépticas com armários pendurados nos tectos.
Domadores massacrados.
Regras sem jogo.
Almofadas com alfinetes espetados.

quarta-feira, julho 19, 2006

Insolente

País contraditório,
bárbaro,
mal decifrado,
mal civilizado.

Coisas absurdas,
mágicas,
quais putas na quaresma.

...

E na minha boca ainda os teus lábios frescos.

sábado, julho 15, 2006

Cocktail de amargura

(ou como me sinto hoje, e que pressinto, por motivos subjacentes sólidos, assentes em injustiça profunda na apreciação do mérito, me irei sentir durante longo tempo)

Nota: Escrito por Tito Humberto (eu não encontro melhores palavras)
___________________________
Num copo cheio de lágrimas
Adiciono muito suor gelado
junto o amargo do desespero
Com bastente sofrimento
Misturo até à exaustão
Sirvo com tristeza
Bebo de um trago
E acordo de um pesadelo...
_____________________
P.S. : não sou tão optimista quanto ao acordar.


quinta-feira, julho 13, 2006

AMOR

(ou ode ao nascimento de minha filha)
*
Amor
Amor a todos
Aos corações limpos e límpidos
Amor na sua mais pura essência
Aos violinos
Às flores
Às pedras
Às canetas
Às estradas
Aos espelhos
Aos olhos
À natureza
Às nuvens
Ao sol
Amor
A tudo
E principalmente a ti

sábado, julho 08, 2006

CANSAÇO




Há quem ame o infinito
Há quem deseje o impossível
Há quem não queira nada

Três tipos de idealistas
E eu nenhum deles

Porque eu amo infinitamente o finito
Porque desejo impossívelmente o possível
Porque quero tudo ou um pouco mais

Se puder ser ou até se o não puder


E o resultado!
Para eles a vida vivida ou sonhada
Para eles o sonho sonhado ou vivido
Para eles a média entre o tudo e o nada

E para mim...
Para mim só um grande profundo e
Infecundo

Cansaço...

sexta-feira, junho 30, 2006

O TEMPO


Inexorável
Tic, tac, tic, tac
Nem a criação, a invenção ou
a imaginação
lhe permitem ambiguidade
Tic, tac, tic, tac
Estranhamente
vivemos na loucura do limite
o "hoje"
Vã tentativa de intemporalidade

Tic, tac, tic, tac

O ontem foi tão fugaz e tão breve...
Nunca mais é amanhã!

O tempo...
despótico,
implacável,
ladrão.

sexta-feira, junho 23, 2006

O ponto de saturação


Sonhos
Equilíbrio
Confrontação
Realização Pessoal
Envolvência do colectivo

....

ou

a cirurgia dos afectos

sexta-feira, junho 16, 2006

Foi por isso

Foi por isso que decidi
separar-me do mundo.
... E, comprei um castelo!
Reino
ou reduto
onde permaneço
a descansar da luminosidade.
Reduto, sim,
reduto, antes...
de serenidades imemoriadas pelo chão.

Quando quiseres,
sabes onde é o meu castelo!